Deserto do Atacama: lagos, salares e cenários lunares

O Deserto do Atacama, o mais árido do mundo, encanta com paisagens de outro planeta

O Deserto do Atacama, o mais árido do mundo, conta com uma paisagem fascinante graças a um fenômeno curioso: As correntes marítimas do Oceano Pacífico não conseguem passar para o deserto, por causa da altitude. Assim, quando se evaporam, as nuvens úmidas descarregam seu conteúdo antes de chegar ao deserto, podendo deixá-lo sem chuva por longos períodos. Sua aridez é incrível. Atualmente, o índice pluviométrico é de 33 milímetros por ano, o equivalente a um dia de chuva por ano.

As temperaturas no deserto chileno variam entre 0ºC à noite e 40ºC durante o dia. Em função dessas condições existem poucas cidades e vilas no deserto; uma delas é San Pedro do Atacama, que tem pouco mais de 3.000 habitantes e está a 2.400 metros de altitude. Possui clima quente durante o dia e frio à noite.

Mesmo com o ar muito seco, é quase comum nevar em partes da região perto dos vulcões. É possível acompanhar esse fenômeno no inverno, na região dos lagos do altiplano.

A partir de 1995, o Deserto do Atacama passou a ser visado por turistas de todo o mundo para a prática de trekking, montanhismo, montaria, off-road e mountain biking, além dos astrônomos que costumam procurar o local para observar estrelas com uma precisão que não seria possível em nenhum outro lugar do planeta e de arqueólogos ávidos por conferir interessantes artefatos históricos. Salinas, gêiseres, vulcões, montanhas, lagoas coloridas, vales verdejantes e cânions de água cristalina completam a lista de atrativos.

Disposto a encarar tudo isso? Então prepare-se para enfrentar algumas horas de voos e aeroporto. Chegando à capital chilena, pegue um voo até Calama e encare mais uma hora de carro até o vilarejo na entrada do deserto. A não ser que queira se aventurar de carro a partir de Santiago e percorrer os quase 1.200 quilômetros até San Pedro de Atacama.

 

O QUE LEVAR?

Filtro solar acima de 30 
Mesmo no inverno, as queimaduras no rosto são inevitáveis.

Protetor labial
O clima seco forma feridas e deixa os lábios muito sensíveis.

Soro fisiológico
É bem-vindo para evitar o ressecamento dos olhos e do nariz.

Chapéus e bonés
Muito eficientes em locais onde não há um fio de sombra.

 

Sapatos confortáveis
Nada de estrear aquela bota incrível durante o trekking.

Roupas para frio extremo
Opte pelo look ‘cebola’, com peças que possam ser removidas à medida que a temperatura subir.

Muita água
Prepare-se para ingerir pelo menos o dobro de água que consome habitualmente. Dois litros são um bom começo.

 

Valle de la Luna

Está entre os principais atrativos da região. Mesmo com aspecto árido e cenários do mundo da lua, é considerado um paraíso natural em pleno Deserto do Atacama.

O vale, de origem vulcânica, mais parece uma cratera lunar, daí o nome. Os céticos em relação à chegada do homem à lua acreditam que os tripulantes da Apolo 11 estiveram, na verdade, no deserto chileno.

Teorias conspiratórias à parte, a vista é mesmo de perder o fôlego. Sim, quem não está habituado à altitude deve caminhar devagar e com muito cuidado para não perder o oxigênio. As dunas são as principais atrações dessa paisagem.

Ao entardecer, turistas de todo o mundo se reúnem em um dos precipícios para apreciar o pôr do sol. Um espetáculo de luzes de poucos minutos compensa a espera do lado de fora da van com golpes de rajadas de vento desequilibrando os aventureiros. Os raios de sol descendo entre as montanhas tornam o paredão de rochas metade cinza e metade avermelhado. A lua cheia apontando atrás do vulcão Licancabur completa o espetáculo natural no horizonte.

 

Geiseres del Tatio

O ponto mais desafiador do Deserto do Atacama é o El Tatio, a 4.300 metros de altitude. Seus famosos gêiseres só são visíveis em sua magnitude durante o amanhecer e algumas horas depois. Por isso, os passeios para o local saem no meio da madrugada de San Pedro de Atacama para chegar ao local por volta das 6h. El Tatio é terrivelmente frio antes do sol aparecer, cerca de – 15ºC.

Não deixe de se agasalhar para visitar os gêiseres e não visite logo no primeiro dia sem antes se aclimatar. A escolha do look exige certo preparo. A roupa precisa ser quente o suficiente e ter boa ventilação para que o suor não fique próximo da pele e cause ainda mais frio. O sistema de camadas é o mais indicado. Comece usando uma segunda pele com materiais que favorecem a eliminação da transpiração e se aqueça com conjuntos de fleece. Adicione calça jeans, meias confortáveis, botas, blusa de lã e uma jaqueta corta-vento do tipo alpaca, que aquece e faz pouco volume na mala.

A água submetida à alta pressão busca saída na superfície por meio de fissuras na crosta terrestre, alcançando temperatura de 85ºC. Logo que entra em contato com a superfície, a água congela. Ao despontar os primeiros raios de sol, as fumarolas alcançam até 10 metros de altura.

Algumas horas depois, já com a paisagem sem tanta fumaça dos gêiseres, a temperatura começa a subir encorajando alguns aventureiros a mergulhar na piscina termal do campo de gêiseres com temperatura da água variando entre 32°C e 36°C.

Termas de Puritama
Aproveitando as águas quentes do Rio Puritama, um hotel construiu oito piscinas termais unidas por passarelas de madeira. A 33 quilômetros de San Pedro, na mesma estrada que segue para o El Tatio, em um terreno de 7.500 hectares, encontram-se as Termas de Puritama. Elas ficam a 3.500 metros de altitude, no fundo de uma grande quebrada, onde aflora a água termal do Rio Puritama, que significa ‘água quente’ em Kunza, língua tradicional atacamenha.

O contato com as águas a 32ºC de temperatura é uma experiência revitalizante, tanto para o corpo quanto para o espírito. Um banho pelas minicachoeiras é mais do que revigorante.
Essa é mais uma opção de passeio onde as temperaturas extremas se encontram. O local é de aproximadamente 10ºC. Já dentro d’água, torna-se difícil pensar em sair das piscinas e subir a ladeira de um quilômetro até o estacionamento.

Cachoeiras quentinhas das Termas de Puritama são opção relaxante

Salar do Atacama

No passado, um imenso lago. Agora, um grande vale de sal, lugar preferido de flamingos e diversas aves do deserto. O frio é imenso. O céu reflete no solo, que conta com fina camada de água, formando um espelho infinito.

Está localizado 55 quilômetros ao Sul de San Pedro do Atacama. É cercado pela Cordilheira dos Andes e pela Cordilheira de Domeyko, e não tem drenagem de água. Com o passar dos anos, essa depressão tornou-se um depósito de sal, onde em alguns pontos se alcança uma espessura de 1.450 metros.

Esse depósito se originou pela precipitação de sais e minerais vindos das montanhas pela água. As lagoas formadas se evaporaram e a camada de sal se cristalizou, formando estruturas hexagonais. Não se pode caminhar pelas salinas, pois o sal cristalizado forma pequenas lanças capazes de rasgar até os solados dos calçados.

A salina tem cerca de 3.000 quilômetros quadrados e está a 2.300 metros do nível do mar. Algumas áreas fazem parte da Reserva Ecológica Los Flamencos. A região concentra flamingos e outras espécies de aves, como nhandus, gansos e patos. Entre os mamíferos, destaque para os guanacos, vicunhas, alpacas e lhamas.

A reserva de sal forma espelhos que refletem a grandiosidade do Atacama

 

Lagunas Altiplanicas

A 110 quilômetros do centro de San Pedro, as lagunas altiplanicas formam um dos cenários mais lindos da viagem. As lagoas Miñiques e Miscanti ficam à beira do vulcão Miñiques. Mesmo com o deserto muito seco, lá é possível ver neve.

As lagoas altiplânicas estão localizadas a cerca de 4.200 metros de altitude. Na região podem ser vistos flamingos, vicunhas, patos e raposas com muita facilidade. A paisagem é deslumbrante, com vulcões nevados, em sua maior parte extintos, ao redor das lagoas que variam de cor conforme a estação do ano e a hora do dia, contrastando com a vegetação amarelada.

A água dessas lagoas é proveniente das chuvas de verão que foram separadas por uma erupção do Vulcão Miñiques. Os lagos formam uma vista tão inacreditável que o desejo do turista é tirar uma foto em 360 graus para registrar toda a complexidade do lugar.

Mas não se pode nadar nas lagoas, até porque o aventureiro congelaria. A temperatura média durante minha visita era de 5ºC. A baixa temperatura associada ao vento forte causa um frio de doer, como se pequenas lâminas cortassem a pele.

Para percorrer o lago, é preciso seguir caminho formado por pedras que delimitam o acesso para garantir a preservação. A viagem leva mais de uma hora de carro para não mais que 15 minutos de contemplação. É quando a fome e o frio começam a apertar.

As lagoas ficam muito distantes de qualquer vilarejo. O jeito é voltar e apreciar um almoço típico numa casa simples, que se disponha a abrir as portas para saciar a fome de aventureiros e garantir acesso aos banheiros. Quem tiver alguma restrição alimentar deve levar a própria comida. A volta é feita pelo vilarejo de Toconao, que ostenta uma igreja construída em adobe com porta de cactos.

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